Orhan Pamuk*

Orhan Pamuk é genial. E você precisa saber disso.

Começo assim, pois, caso você não chegue até o fim deste post, já entendeu aonde eu queria chegar.

Orhan Pamuk, gênio.

Orhan Pamuk, gênio.

Poucas vezes li um escritor que consegue ser tão profundo e poético e, ao mesmo tempo, tão aparentemente simples ao contar histórias. Ler Orhan Pamuk é encantador, viciante, incansável.

Na verdade, li apenas dois livros** do autor. O primeiro, “Neve”, tornou-se o meu livro favorito. Trata-se da história de Ka, poeta e jornalista turco que retorna a sua cidade natal Kars para escrever sobre ela e, também, investigar o suicídio de várias garotas. Em sua estadia, Ka reencontra uma antiga amiga, por quem se apaixona.

“Neve” junta todos os elementos possíveis dentro de um contexto histórico de uma Turquia fragmentada, quase sem identidade cultural (afinal, o que é a Turquia: oriente ou ocidente?). É um livro sobre política, amor, fé, religião, amizade e poesia. E, não, não é piegas, não é lugar comum. É simplesmente genial. É de uma delicadeza e profundidade sem igual. Sutilmente, Pamuk desenvolve o personagem central, Ka, que funciona como o que conecta todos os demais, os quais representam diversas camadas da sociedade turca: o romantismo de uma Turquia do passado, o extremismo religioso, a ocidentalização, a modernização de costumes.

O mais recente publicado no Brasil é “O Museu da Inocência”. Este é um livro de amor. Conta a história de Kemal, homem de família burguesa, noivo de uma jovem também da alta sociedade turca, mas que se apaixona pela prima Füsen, bem mais nova que ele. Apaixona-se obsessivamente. Mas tão obsessivamente que termina o noivado e passa a conviver com a família de Füsen, mesmo que a moça tenha se casado com um jovem roteirista. O que consola e consome Kemal são os objetos que ele furta da casa de Füsen e coleciona em seu próprio apartamento.

E é nesta história de amor que Pamuk descreve a Istambul dos anos 70 e 80, desde os bairros mais burgueses às ruelas onde moram famílias mais humildes, bem como o desejo da cidade de ter tudo o que têm os grandes países ocidentais, mas made in Turquia – desde um refrigerante a grandes produções cinematográficas.

O que eu mais gosto em Pamuk é que ele é um autor que pode ser lido por todo mundo (deve ser de propósito, pois acho que ele quer falar da Turquia para quem bem quiser ouvir). Uma pessoa que só lê best-sellers, por exemplo, vai se encantar com a história de amor de Kemal e Füsen e vai querer acompanhar até o fim o thriller policial em que “Neve” se transforma. Já os “pseudo-intelectuais” podem ir mais além e sentir as tristezas, dúvidas e questionamentos de uma sociedade que não sabe seu papel no mundo.

Pamuk, que é de uma família burguesa decadente de Istambul, traz em seus livros todas as coisas que ele viu e, de certo modo, viveu (ele e sua família estão sempre infiltrados). E, assim, ele conta histórias de ficção com muito realismo. E de modo genial.

______

* Texto escrito em 09/09/2011 para o Fabulário Fabuloso, meu outro blog.

** No ano passado, li mais um: ‘Meu nome é vermelho”. E, atualmente, estou lendo “Istambul”.

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