As Variações Bradshaw – Rachel Cusk

Comecei a ler As Variações Bradshaw, da autora Rachel Cusk, cheia de expectativas. Afinal, um livro que começa com “O que é a arte?” faz você querer ler até descobrir a resposta. Eu queria ir além também. Queria descobrir quem é Rachel Cusk, da qual eu nunca havia ouvido falar.

As Variações Bradshaw narra um ano na vida do casal Thomas e Tonie Bradshaw; ele decide abandonar o emprego para se dedicar às aulas de piano, ela é promovida à coordenadora do curso universitário no qual dá aulas. Conhecemos também o irmão mais novo de Thomas, Howie, um empresário bem sucedido, e sua esposa Claudia, que não tem aptidão para o trabalho, nem para dona de casa, nem para cuidar dos filhos e nem do cachorrinho.

E o livro é isso, um ano na vida dessas pessoas. É óbvio que há problemas cada vez maiores entre Thomas e Tonie. Thomas sofre com os sogros, que vivem dando indireta por ela ter se tornado o homem da casa, e com a mulher, cada vez mais ausente. Ela sofre com toda a confusão da nova posição profissional, que a afasta da filha pequena e do resto da família.

A grande intenção de Rachel Cusk foi apresentar o dia a dia e os problemas de uma família contemporânea, mas a partir de fatos da vida como ela é, sem nada extraordinário, apenas fatos, histórias e momentos que acontecem todos os dias. Poderia ser a minha ou a sua história. Mas não há nada de original isso. Don DeLillo fez a mesma coisa lá nos anos 80 com Ruído Branco (aliás, As Variações Bradshaw lembra, ou tenta lembrar ou foi inspirado no Ruído Branco). O problema é que as descrições e diálogos são chatos, irritantes. Não convencem.

As personagens também não convencem. Eu não consegui simpatizar com nenhum deles. Não acreditei em nenhum deles. Não me envolvi. Eu acho que se você vai escrever um livro que pretende ser super realista, o mínimo que você tem que fazer é criar personagens nos quais o leitor irá acreditar, com os quais irá se identificar. Mas não é o que acontece em As Variações Bradshaw. Não para mim, pelo menos.

Felizmente, o livro tem os seus momentos bons. Uma ou outra boa passagem, geralmente nos diálogos dedicados a Thomas, que é o personagem melhor construído neste romance.

Ficou para mim a impressão de um livro inconstante, forçado e que não convence.

“Era isso o que ela queria, libertar-se da autoridade. Já deixou tanta coisa para trás que tem um pouco de medo do que está por vir. Irá trabalhar diariamente, só isso. Fará o seu trabalho. O que mais os reis podem fazer?” (pág. 184).

      —————

      As Variações Bradshaw
      Rachel Cusk
      Companhia das Letras
      Tradução: Fernanda Abreu

      20130303-210100.jpg

      Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s