Pássaros na Boca – Samanta Schweblin

Pássaros na Boca - Samanta Schweblin

Pássaros na Boca – Samanta Schweblin

“Pássaros na Boca”, segundo livro da argentina Samanta Schweblin, traz uma coletânea de 18 contos que mesclam cenas do cotidiano com elementos fantásticos e, em alguns casos, um quê de nonsense. A escritora, tida como uma das novas promessas da literatura argentina e latino-americana, bebeu das melhores fontes. Alguns dos contos deste livro são realmente ótimos. Outros, ficam com aquele gosto de “valeu a tentativa”. Ao ler “Pássaros na Boca”, é preciso ter em mente que a autora ainda está encontrando a sua voz. O resultado deste livro realmente impressiona e faz o leitor (ou esta leitora que vos fala) ter esperança em jovens escritores.

Como disse, alguns contos são realmente muito bons. “Cabeças contra o asfalto”, por exemplo, é um dos meus favoritos e conta a história de um jovem artista plástico que faz sucesso pintando quadros de pessoas com a cabeça contra o asfalto em uma narrativa de suspense e violência. “Pássaros na boca”, o conto que dá nome ao livro, mostra como os pais de uma menina ficam sem saber (e sem querer) agir com a filha ao descobrirem que ela tem um costume bem peculiar: comer pássaros vivos. “Papai Noel dorme em casa” é ótimo! Aos olhos de uma criança que espera o Papai Noel, vemos uma família destruída por brigas, traições, imaturidades.

O mérito do livro é este: pegar situações normais, que podem acontecer com qualquer um (como uma noiva abandonada na estrada, um casal que tenta ter um filho, um desentendimento em um bar) e adicionar à cena um soco no estômago do leitor, transformando algo simples em pungente, em espantoso, em repugnante. Além disso, é preciso dizer que Schweblin conduz bem sua narrativa, consegue fazer o leitor querer descobrir o que vem a seguir, embora nem sempre consiga surpreender tanto quanto gostaria. Li algumas resenhas e vi pessoas reclamando de que alguns contos são ininteligíveis. Mas isso não é bacana? Digo, cada um pode fazer sua própria interpretação daquilo que a contista criou.

Talvez, há alguns anos, eu teria achado “Pássaros na boca” excelente, algo que eu gostaria de ter escrito. Hoje, um pouco menos imatura, reconheço apenas que o livro é bom, vale a leitura. Espero que Schweblin continue escrevendo – ainda mais contos, gênero pouco valorizado hoje em dia.

“(…) o que o mundo tem é uma grande crise de amor, e, por fim estes não são bons tempos para pessoas muito sensíveis” (p. 83 – de “Cabeças contra o asfalto”)

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Pássaros na Boca

Samanta Schweblin

Benvirá

Tradução: Joca Reiners Terron

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4 comentários

  1. Hoje à noite entrei em uma livraria e li o conto que dá título ao livro. Muito bom!
    Depois de ler o seu ótimo texto fiquei com ainda mais vontade de comprar o livro!, que por falta de dinheiro não lerei tão cedo! rsrs
    Mas obrigada por aguçar a vontade!

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