Menino de lugar nenhum, David Mitchell

MENINO_DE_LUGAR_NENHUM_1231429109PA adolescência é, definitivamente, um período muito, muito complicado da nossa vida. Já estamos grandes demais para as bobeiras da infância. Ao mesmo tempo, achamos que já sabemos muito do mundo quando, na verdade, somos grandes ignorantes. Queremos tanto ser aceitos em um grupo que somos capazes de negar coisas ou sentimentos muito importantes. Aliás, na adolescência tudo parece ter mil vezes mais importância do que realmente tem. É neste contexto que está inserida a história de “Menino de lugar nenhum”, do inglês David Mitchell.

Acompanhamos a vida de Jason Taylor durante o ano de 1982. Jason é um garoto comum de 13 anos que vive no interior da Inglaterra. Introspectivo, é do tipo que está sempre observando e analisando aquilo que acontece com as pessoas ao seu redor; está aprendendo, de certo modo, como o mundo funciona. E enfrenta também seus próprios temores: um problema de dicção que o torna vítima de bullying na escola, uma paixão não correspondida, pais que estão com um pé no divórcio, uma irmã mega chata… todas essas peças que a vida, cedo ou tarde, pode nos pregar. E quando calha de ser nesse meio termo de tudo que é a adolescência, parece que cada acontecimento é mil vezes pior.

O livro é isso: cada capítulo, uma nova parte da vida do menino Jason. E, a cada capítulo, ele parece um pouco mais maduro, um pouco mais preparado para o mundo. “Menino de lugar nenhum” não tem frases mirabolantes, construções espetaculares, nada disso. Mas é de uma simplicidade e de uma delicadeza comoventes, que me emocionaram do começo ao fim.

Fiquei feliz de ler este livro e lembrar da minha própria história, do quanto fui uma perfeita imbecil em muitas ocasiões e do quanto sofri exageradamente em tantas outras. Do quanto aprendi com algumas experiências e, sobretudo, com muitos dos meus erros. No fim das contas, a gente aprende que a adolescência é de uma tristeza muito bonita.

Depois de ler “Menino de lugar nenhum”, descobri que o livro é autobiográfico. Nenhuma surpresa. Afinal, esses anos terríveis da sua vida também não dariam um belo livro?

(E que ruim se sua adolescência foi chata e sem nenhum drama).

“O mundo não deixa nada em paz. Vive colocando finais em começos (…). O mundo nunca pára de desfazer o que o mundo nunca pára de fazer.

Mas quem disse que o mundo precisa fazer sentido?”

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Menino de lugar nenhum

David Mtchell

Companhia das Letras

Tradução: Daniel Pellizzari

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