Ilusões Perdidas, Honoré de Balzac

ilusoes perdidas balzacGeralmente, não estabeleço metas de leitura para o ano, mas neste resolvi fazê-lo, pois a lista dos livros que eu sempre quis ler e não li só aumenta. Um dos livros que entrou para a lista “de 2013 não passa” foi “Ilusões Perdidas”, clássico de Honoré de Balzac. A única pergunta que faço a mim mesma desde então é: “Por que demorei tanto?”.

“Ilusões Perdidas” conta a história do poeta Lucien Chardon e toda a sua ascensão e queda (bem, você pode imaginar que há uma queda, senão o livro não se chamaria “Ilusões Perdidas”). Lucien é um rapaz de origens humildes e ingênuo, mas MUITO INGÊNUO MESMO, chega a dar raiva. Sua mãe e sua irmã trabalham para sustentar o sonho de Lucien: se tornar poeta e escritor profissional. E, enquanto sua família trabalha para permitir que ele apenas escreva, Lucien se apaixona por uma mulher da alta sociedade, casada, e foge com ela para Paris para tentar a vida lá. Ela, temendo o julgamento da sociedade, acaba por abandoná-lo e Lucien se vê sozinho em uma cidade completamente estranha e cruel, com dinheiro algum. Porém, o que ele tem de ingênuo tem também de ambicioso. Ele faz uns contatos aqui, conhece pessoas influentes ali e, voilà, dá a volta por cima. Mas, é como diz o ditado:quanto maior a ascensão, maior a queda.

Balzac constrói uma história incrível para retratar, com tamanho realismo, a sociedade francesa do século XIX. E ele não alivia para ninguém. Artistas, jornalistas, todos ouvem – ou melhor, leem, umas boas verdades. E é aqui, para muitos críticos, em que consiste o grande mérito deste livro e de toda a obra de Balzac. Aliás, o modo como ele mostra o jornalismo e a crítica literária da época é sensacional. É como se ele dissesse: “Enquanto os leitores se guiam pelo o que dizem os jornais , vejam só como eles decidem se um livro é, de fato, bom ou não”. Enfim, tapas e tapas na cara da sociedade.

Para mim, a genialidade de “Ilusões Perdidas” está em todo o comportamento de Lucien. O poeta não é uma pessoa ruim, mas, por causa de sua vaidade (e eu sempre me lembro do Al Pacino dizendo que a vaidade é o pecado favorito do diabo), faz escolhas muito, muito ruins. E este é um risco que todos nós corremos, afinal,quem não quer ser bem sucedido? Quem não deseja ser reconhecido, sentir-se o melhor naquilo que faz? Mas o mundo, como bem mostra Balzac, é cheio de pessoas que também querem o sucesso. (Quase) ninguém é tão altruísta ao ponto de desistir de um sonho para possibilitar que o outro realize o seu, mesmo que sinta que o outro mereça mais. E, se alguém tiver que fazer algo que prejudique o outro para que possa ter êxito em algo, é quase certo que o fará. Lucien, mesmo com o coração bom, o fez.

O mundo apresentado por Balzac é cruel, mas não é muito diferente do que cada um de nós vive. No fim, sempre aprendemos que contamos nossos amigos verdadeiros nos dedos de apenas uma mão. É um mundo em que precisamos estar sempre atentos. Não podemos confiar em quase ninguém. O melhor que podemos fazer é viver nossa vida dignamente e honestamente – o que é totalmente possível. E não se iludir.

“O gênio é um doença terrível. Todo escritor traz no coração um monstro que, parecido com a tênia do intestino, devora os sentimentos à medida que eclodem. Quem triunfará? A doença contra o homem ou o homem contra a doença? Sem dúvida, é preciso ser um grande homem para manter o equilíbrio entre seu gênio e sua personalidade. O talento cresce, o coração resseca”.

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Ilusões Perdidas

Honoré de Balzac

Penguin Companhia

Tradução: Rosa Freira D’Aguiar

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