O tempo envelhece depressa, Antonio Tabucchi

o tempo envelhece depressa antonio tabucchiQuantos segundos, quantos minutos, quantos dias, quantos anos são necessários para mudar uma vida? Para ser feliz? Por quanto tempo se é feliz? Quanto vale um instante de felicidade? E qual o peso daquilo que nunca sai da memória?Todas essas são questões o presentes na existência de qualquer pessoa. E são essas algumas das perguntas  feitas no sensível “O tempo envelhece depressa”, de Antonio Tabucchi. Um livro pequeno, pouco mais de 150 páginas, mas de uma força incrível.

Os nove contos de “O tempo envelhece depressa” traduzem reflexões sobre o tempo e a memória – o passado que vive em cada um de nós – a partir de episódios aparentemente comuns, como o diálogo entre uma menina e um homem doente em um hotel de luxo no conto “Nuvens”, um militar húngaro que resolve contar sua história em “Entre generais”, uma viagem à Grécia em “Contratempo”,mas que revelam o grande drama da existência. Os personagens dessas e das outras seis histórias sentem que a vida é efêmera ou, como diz uma frase bastante clichê, que a vida é aquilo que a gente vive enquanto esperava algo grande acontecer.

Então, se vive daquilo que vive na memória. E olha que bonito isso, este trecho do conto “Entre generais”: “Creio ter entendido uma coisa, que as histórias são sempre maiores que nós, aconteceram conosco e sem ter delas consciência fomos seus protagonistas, mas o protagonista verdadeiro da história que vivemos não somos nós, é a história que vivemos”. 

Talvez “Nuvens” seja o conto que melhor resume a temática de “O tempo envelhece depressa”. Trata-se basicamente de um diálogo entre uma garota cheia de ideais – e, portanto, de esperanças – e um homem muito doente, que trabalhou para o governo durante o período de guerras. Uma menina que se depara com alguém que mostra que, no mundo adulto, você passa por cima de seus ideais para sobreviver e um homem que, no fim da vida, revive tudo aquilo que, um dia, teve algum sentido. E esses instantes de conversa mudam, de algum modo, a vida de ambos.

E é desses pequenos milagre que a vida, efêmera, é feita.

” — Nem pensar, objetou o homem, a idade evolutiva nunca acaba, na vida não fazemos nada além de nos transformar.

— Transformar é um verbo que não existe, disse Isabella, se diz evoluir”.

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O tempo envelhece depressa

Antonio Tabucchi

CosacNaify

Tradução: Nilson Moulin

 

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