Pessoal

Os melhores livros de 2014

Confesso: fiquei bem aquém nas minhas metas de leitura neste ano. É que a vida deu uma boa mudada. Nova graduação, nova profissão – que concilio com a antiga… Fui lendo conforme me sobrava um tempinho nas madrugadas da vida e, sim, faltou tempo e disposição para manter o blog em dia.

Bem, de qualquer modo, foram 24 livros lidos em 2014, mais um monte de livros e textos teóricos para a faculdade. Ainda assim, fiquei bem feliz. As leituras para a faculdade foram ótimas. E, na literatura, só li livro bom. Ok, dei aquela boa selecionada diante do pouco tempo, mas, ainda assim, só livro bom. Também fiquei feliz por ter lido mais quadrinhos e, principalmente, mais poesia. A grande maioria já está comentada aqui no blog. As demais ainda estão por vir.

E, como faço todo ano, listo aqui os 5 melhores livros que eu li em 2014. São eles:

melhores livros 2014

1 – O Arco e a Lira, Octavio Paz
2 – A Mulher Foge, David Grossman
3 – Ilíada, Homero
4 – Sentimental, Eucanaã Ferraz
5 – O Mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov

Desafio literário 2014

O blog Livrada, do meu ilustríssimo namorado, propôs o seguinte desafio literário para 2014.

1- Um clássico da literatura brasileira

2- Um clássico esquecido da literatura mundial

3- Um livro do seu autor favorito

4- Um livro de contos

5- Um livro que não foi te indicado por ninguém: “A Mulher Foge”, David Grossman

6- Um livro com mais de 500 páginas

7- Um livro de poesia: “Sentimental”, Eucanaã Ferraz

8- Um livro escrito por alguém com menos de 40 anos

9- Um livro escrito originalmente em um alfabeto diferente do seu: “O Retrato”, Nicolai Gogol

10- Uma graphic novel: “Azul é a cor mais quente”, Julie Maroh

11- Um livro publicado pela primeira vez neste ano

12- Um livro de não-ficção

13- Um volume de alguma trilogia ou série: “1Q84”, livro 3, Haruki Murakami

14- Um livro que algum amigo te enche o saco pra ler

15- Um livro escrito por uma autora : “A Elegância do Ouriço”, Muriel Barbery

Lá ele explica o que cada categoria significa/pode significar.

Eu aqui vou participar! Na verdade, a gente sempre faz esse tipo de coisa, mesmo quando não publicamos. Somos um casal amante de livros!

A ideia, além de compartilhar a brincadeira, é descobrir novos autores, novos livros.

Você até pode mencionar o mesmo livro em categorias diferentes, se quiser. Eu, no entanto, farei um livro diferente para cada uma delas. Em negrito, como podem perceber, são os que já li neste ano. Atualizarei a lista neste post e divulgarei as novidades lá na fanpage do blog no Facebook.

Se quiser, participem também.

Os melhores livros de 2013

livros lidos2013 foi um ano de grandes leituras. E do início deste blog, que não tem outra pretensão senão compartilhar minhas experiências de leitora com quem possa se interessar por minhas opiniões e sentimentos.

Foram 31 livros lidos neste ano que passou. Menos do que gostaria, mas, como disse, de grandes leituras. Eis a minha lista dos livros lidos em 2013 de que mais gostei.

1 – O Amor de uma Boa Mulher, Alice Munro

2 – Ilusões Perdidas, Honoré de Balzac

3 – O Tempo Envelhece Depressa, Antonio Tabucchi

4 – Fogo Morto, José Lins do Rego

5 –Menino de Lugar Algum, David Mitchell 

 

E quais foram os seus livros favoritos de 2013?

A minha grande pergunta

livre chargeNo último dia 15, a escritora Vanessa Barbara publicou no The New York Times o artigo “Brazil’s Most Pathetic Profession”. Nele, a autora fala sobre as dificuldades da vida de escritor no Brasil. Dificuldades financeiras, já que viver de literatura em nosso país é algo praticamente inconcebível.

O texto mostra o quanto a carreira de escritor não é valorizada no Brasil, assim como acontece com outras profissões, como professor e jornalista.  Vanessa Barbara relata o quanto ganhou pelo seu “O Livro Amarelo do Terminal”, publicado em 2008 e vencedor do Jabuti na categoria Reportagem: U$ 2250 – em quatro anos. Aí, para pagar as contas, a autora precisa de outras ocupações, como jornalista freelancer, tradutora, etc.

Não é que eu não tivesse a mínima ideia do que um escritor passa para conseguir publicar seus livros (até porque eu me enquadro na profissão jornalista, bem contextualizada por Vanessa Barbara, e sei bem a realidade que eu e meus colegas vivemos). O fato é que o artigo choca. Toca em um ponto ao qual poucas pessoas, inclusive escritores, querem prestar atenção.

Sempre há quem diga que Paulo Coelho vende, que Paula Pimenta vende. E que brasileiro lê sim, afinal Thalita Rebouças é celebridade entre as adolescentes e as que já passaram dessa idade devoraram o Cinquenta Tons de Cinza. Para esses, eis alguns dados. Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada no ano passado pelo Instituto Pró-Livro, o país possui 50% de leitores (aproximadamente 88 milhões de pessoas na época da pesquisa). O brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. Quando questionados sobre quantos livros foram lidos nos últimos três meses, a média de leitura dos entrevistados caiu para 1,85. Deste número, 1,05 exemplar foi escolhido por iniciativa própria e 0,81 foi indicado pela escola. E o livro mais lido pelos brasileiros é a Bíblia.

No entanto, há quem acredita que ler um livro a cada três meses é suficiente. De acordo com um levantamento da UNESCO sobre hábitos de leitura, realizado em 2009, o Brasil ocupa a 47ª posição no ranking de livros lidos por ano, em um total de 52 países pesquisados. Nos países desenvolvidos, as pessoas leem, em média, 10 obras literárias anualmente. No Chile, aqui pertinho da gente, a média de leitura é de 5,6 livros por ano.

A grande pergunta é: por que brasileiro não lê? Ou lê muito pouco?

Muitos apontam como causa o preço dos livros. E, realmente, eles custam caro em nosso país. No entanto, muitas cidades possuem bibliotecas. Curitiba, por exemplo, possui uma excelente biblioteca pública. Mas, em sua grande maioria, são espaços pouco aproveitados.

Por que as bibliotecas estão quase sempre quase vazias? Por que o brasileiro não lê? Ou lê muito pouco?

Porque acreditam que ler não é divertido. É o que revela a pesquisa do Instituto Pró-Livro. Logo, não reservam tempo para ler, afinal, preferem realizar atividades divertidas, como ver TV, jogar videogame, entre outras. Ou seja, a leitura não é parte da vida cultural do brasileiro.

Por que a leitura não é parte da vida cultural do brasileiro? Por que as bibliotecas estão quase sempre quase vazias? Por que o brasileiro não lê? Ou lê muito pouco?

Porque vivemos um empurra-empurra da obrigação de despertar o prazer da leitura. Uns defendem que isto é um dever da escola, que traumatiza os alunos ao impor títulos e que não os orienta em seu início de vida de leituras (estou generalizando, é claro. Eu mesma sou uma leitura “despertada” pela escola). Outros afirmam que se trata de uma obrigação da família. Porém, se os pais não leem, como irão incentivar seus filhos? Outros, que são as editoras que devem baratear os livros, assim, mais pessoas poderão comprá-los. E, como não poderia faltar, há quem diga que a obrigação é do governo, que precisa liberar verba para que as escolas adquiram livros e vale-cultura para que o povo possa frequentar livrarias e sair dela com suas comprinhas.

A verdade, e isso me parece bem óbvio, é que a obrigação é de todos nós.

Se uma criança, se um adulto tiver pelo menos um desses empurrõezinhos, talvez possa tornar-se um leitor e, talvez, os dados de índices de leitura do país possam melhorar. E, quem sabe, a Vanessa Barbara e tantos outros jovens escritores possam ser mais bem recompensados por seu trabalho.

O caminho parece fácil, mas não é. É difícil mudar velhos hábitos. Eu gostaria muito de morar em um país em que eu entrasse em um ônibus e visse muitas pessoas lendo.  Gostaria de viver em um país em que as pessoas achassem a leitura algo divertido – e mais até, algo essencial. Gostaria de morar em um país onde a Vanessa Barbara pudesse viver de sua literatura (não precisa mudar para a Suiça e figurar na capa da Caras). Mas eu sou uma otimista, mesmo nos piores cenários. Tenho um sobrinho que completará 3 anos no próximo sábado. Nunca o presenteei com nada além de livros. E ele realmente se diverte com todos os que dei para ele! Acredito que ele será uma criança que irá crescer com a ideia de que ler é realmente divertido. E, se eu conseguir levá-lo para o bom caminho da leitura, já ficarei feliz!

Até 2014!

Marcel Proust – leituras

marcel-proustProvavelmente, a resenha de “O Amor de uma Boa Mulher” foi a última do ano. Isso porque estou lendo “À Sombra das Raparigas em Flor”, o volume 2 de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust. Acredito que acabarei a leitura até o final do ano. Isso porque são 641 páginas de Proust, mais umas 20 de posfácio. Além disso, não tenho todo o tempo que gostaria de ter para minhas leituras (se bem que entro em férias sexta-feira!). Mas não, não tenho pressa para terminar “À Sombra das Raparigas em Flor”. Ler Proust é uma delícia.

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Semana passada, comprei mais dois volumes de “Em Busca do Tempo Perdido”: o 4, “Sodoma e Gomorra”, e o 7, “O Tempo Redescoberto”. Quando pedi todos os livros do Proust que havia na livraria, o atendente ficou surpreso e disse em sua maior curitibanice: “Poxa, você tá na pira, hein?”. Respondi a ele que está cada vez mais difícil encontrar os exemplares da Biblioteca Azul, então quero garantir logo os meus. A verdade, no entanto, é que talvez eu realmente esteja numa (boa) pira mesmo. A narrativa de Proust me fascina. Descobrir e redescobrir significados de episódios da vida resgatados involuntariamente pela memória é enigmático – e é isso que encontro na literatura do escritor francês. Se eu não tivesse muita coisa para fazer da vida, poderia passar horas e horas com meu livro, anotando em um caderninho tudo aquilo que chama minha atenção e que quero lembrar posteriormente.

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Dizem que ler Proust é muito difícil. O melhor conselho que ouvi foi que temos que ler Proust em voz alta para não nos perdermos na leitura. Testei o método e, bem, funciona (você fica sentindo-se meio imbecil, mas funciona). O fato é que “Em Busca do Tempo Perdido” é o único livro que consigo ler apenas em condições da mais absoluta tranquilidade. Geralmente, ouço música para exercer atividades que exijam concentração – como escrever e ler. Posso ler um livro ouvindo música e não me dar conta de que músicas tocaram enquanto eu lia. E, em condições caóticas ou extremamente irritantes, posso abrir um livro e me desconectar de todo o resto. Posso ler em pé dentro de um ônibus lotado, em filas de banco, em hospitais, em aeroportos com dezenas de voos atrasados e centenas de passageiros reclamando. Mas Proust não. Para ler Proust, preciso de relativo silêncio, do meu sofá confortável e da minha vontade de me transportar para a realidade do autor.

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O Globo News Literatura dedicou um programa sobre Marcel Proust e os 100 anos de “Em Busca do Tempo Perdido”. Vale a pena.

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Também estou lendo “Como Proust Pode Mudar Sua Vida”, do filósofo Alain de Botton. Interessantíssimo! O autor mostra como os sofrimentos de Proust (que era homossexual, asmático e sem sucesso literário – seus livros obtiveram sucesso  apenas depois de sua morte) podem nos ensinar a lidar com as mais diversas frustrações da vida. Ok, parece autoajuda, mas não é. São reflexões sobre a vida que todos nós deveríamos fazer.

Afinal, por que lemos?

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Qual é o poder dos livros e da literatura em nossa vida? Eles – e a arte de um modo geral – são capazes de influenciar a existência de uma pessoa? E as expressões artísticas possuem este propósito? Nascem com esta intenção?

Sinceramente, não sei as respostas. Não sei se existe uma verdade única e absoluta para essas questões. Mas deixem-me contar uma história.

Quando eu tinha 11 anos, minha família se mudou para Curitiba. Deixar minha cidade foi uma experiência bastante difícil. Afinal, eu tinha minha casa, minha escola, meus parentes, meus amigos, o teatro. Eu tinha tudo e partia para o total desconhecido. Entrei em depressão. Na escola, eu simplesmente não conseguia falar com ninguém. Não conseguia me interessar por nada. Me sentia sozinha no mundo.

Talvez tenha sido esse sentimento que me aproximou do livro Sozinha no Mundo, de Marcos Rey, parte da incrível coleção Vagalume. Não me lembro exatamente da história, mas era algo como uma menina – também de uns 11 anos – que havia perdido os pais e se encontrava, de fato, sozinha no mundo. E, de algum modo, a menina encontrou sua felicidade na vida. Este livro me inspirou – no auge da minha sabedoria de pirralha – não apenas a tentar um recomeço, mas também a ler as demais publicações da Vagalume (que, aliás, deveria ser altamente recomendada para os pré-adolescentes).

Lila Azam Zanganeh diz em seu O Encantador – Nabokov e a Felicidade que nós lemos para reencantar o mundo. É verdade. Eu iria além. Eu leio para reencantar o meu mundo, a minha vida, o meu ser. Toda vez que inicio um novo livro (ou que vejo um filme ou que ouço uma música), mergulho não apenas naquilo que o autor propõe. Mergulho em mim mesma. Sofro este reencanto. Foi o que aconteceu, por exemplo, durante minha leitura de O Encontro Marcado, do Fernando Sabino (e essa é uma experiência bem especial, visto que encontrei Sabino quase no minuto exato de sua morte, como uma dessas conspirações do universo). Neste livro, que fala sobre a coragem de sair e viver a vida, eu me reencontrei. Mas veja bem, essa é a minha verdade, o meu mundo. Talvez o seu seja completamente diferente e que, para você, eu esteja aqui escrevendo (estou pensando e escrevendo tudo isso durante um voo) um monte de besteiras. Paciência.

E em nossa posição do leitor, nos tornamos co-autores, no sentido de que cada um dá para uma obra o significado que imagina, que lhe parece óbvio, crível, interessante, conveniente. Porque é bobagem escrever acreditando que despejará verdades sobre o outro. E mais bobagem ainda é escrever (ou manifestar qualquer tipo de expressão artística) simplesmente para exibir o seu “dom criativo”, o seu “talento”. Realmente acredito que o artista cria, sobretudo, para tirar algo de dentro de si. E, a partir do momento em que chega ao outro, sua obra pode ganhar infinitos significados. Toma vida própria.

Enfim, estou, literalmente, viajando aqui.*

Na falta de saber como terminar este texto (eu queria mesmo era só lançar umas ideias aqui), finalizo com um trecho do maravilhoso O Encontro Marcado:

    “Ele faria da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”

*Texto escrito em 18/09/2013, em um voo São Paulo-Aracaju.

Não, não leremos todos os livros que desejamos

leituras 2Nabokov dizia que um livro não deve ser lido, mas sim, relido. Isso significa, de maneira resumida e um pouco simplória, que a segunda vez é sempre melhor. Provavelmente, uma terceira supere a segunda e assim por diante. Se ele estiver certo, como e, mais importante, quando leremos todos os livros que queremos? A resposta é nunca. Não leremos todos os livros que desejamos.

Nós estamos com as horas contadas nessa vida. Pode ser amanhã, pode ser daqui a 70 anos, mas, cedo ou tarde, teremos o nosso fim. E não importa quanto tempo ainda lhe resta: você nunca lerá todos os livros que deseja. Mesmo que você tenha uma meta relativamente simples, do tipo: “meu grande plano de leitura é ler todos os livros do Nabokov”. A não ser que seu tempo finde, digamos, amanhã ou nos próximos dias, é um objetivo bastante simples de alcançar. Mas eu duvido que você terá lido todos os livros que deseja.

Isso porque ler vicia. Depois de ler todos os livros do Nabokov, talvez você deseje ler livros sobre o Nabokov ou autores parecidos com Nabokov. Ou talvez você enjoe do autor de “Lolita” e deseje ler algo completamente diferente. Sempre nascem novos desejos no coração de um leitor. Sempre.

Sempre há mais um clássico para se descobrir. Sempre há um novo autor para conhecer. Sempre há aquele livro obrigatório, que precisamos ler antes de morrer. Sempre há um bom amigo para indicar um novo escritor, uma nova obra. Seus gostos mudam, suas vontades também. E os seus desejos de leitura provavelmente amadurecerão com você, tal qual acontece com o nosso paladar.

Acho que entendo o que Nabokov quis dizer sobre leitura. Quando abrimos um novo livro, estamos desbravando um novo ambiente. Assinamos um contrato (que pode ser rescindido) no qual afirmamos que estamos dispostos a descobrir algo novo. E toda descoberta pode ser aperfeiçoada. Reli pouquíssimos livros e isso há muito tempo. Há tantos outros que marcaram a minha vida e que gostaria de reler. Fico imaginando o que não percebi na primeira leitura, o que seria diferente agora, o que a minha mente de hoje – que, tenho quase certeza, é melhor que a de ontem – veria, descobriria.

Se quando lemos um livro pela primeira vez estamos tão atentos a tudo que percebemos quase nada, reler talvez seja estar mais consciente, mais desperto, mais calmo. E (quase) tudo que é feito com graça e tranquilidade é melhor ou mais prazeroso.

Talvez Nabokov estivesse certo. E talvez isso signifique menos, menos tempo.