Argélia

Mes Hommes, Malika Mokeddem

mes hommes malika mokeddemHá alguns anos, li um livro interessantíssimo. Chama-se Histórias de Mulheres, da Rosa Montero. Nele, a escritora espanhola conta a história de diversas escritoras e artistas que romperam com as regras de seu tempo e tornaram-se célebres por seu talento e, também, por sua ousadia e coragem (apenas para citar alguns nomes: Simone de Beauvoir, Camille Claudel, Frida Kahlo, George Sand).  O nome da escritora argelina Malika Mokeddem poderia estar nesta lista. Não sei se por seu talento literário, já que de tal autora conheço apenas o livro sobre o qual falo hoje. Contudo, ela foi tão corajosa como as mulheres do livro de Rosa Montero. E Mokeddem conta a sua história em Mes Hommes.

Como o título deixa prever, Malika Mokeddem escolhe contar sua história a partir do relacionamento com os homens importantes de sua vida. O primeiro é o próprio pai.  Mokeddem passou a infância e adolescência na recém independente Argélia, numa sociedade em que a mulher não tinha voz nem vez. E ela percebeu isso ainda muito criança, no convívio com a figura paterna, que nunca a apoiou em seus desejos e escolhas porque para ele, e para todos os homens da época, meninas e mulheres simplesmente não tinham escolha. Contrariando a vontade dele e todas as expectativas, a jovem termina seus estudos e vai, também a contragosto, para a França estudar medicina.

Lá, contudo, Mokeddem entende que ser mulher é difícil também em uma sociedade mais liberal como a francesa. E se torna ainda mais complicado quando se é imigrante. A história de como ela se tornou médica, especialista em nefrologia, e, posteriormente, escritora de sucesso, é contada a partir do que ela viveu com diversas figuras masculinas: o irmão, o melhor amigo, o primeiro namorado, o primeiro marido, um affair, etc.

Não é que existam fatos na vida da escritora que a tornam uma super heroína. O que acontece com ela – relacionamentos mal fadados, súbitas mudanças profissionais, planos que não dão certo – pode suceder com qualquer um de nós. Exceto que muitos desses acontecimentos foram mais difíceis para mulheres imigrantes de algumas décadas atrás (assim como hoje muitas coisas ainda são muito complicadas para nós, mulheres. Não é à toa que o feminismo esteve e está presente e lutando por nossos direitos). A beleza do livro está em como Mokeddem narra suas história e toca em suas próprias feridas para mostrar que há algo de belo, além de importante, claro, nesta luta. Assim ela escreve e resume sua história (tradução minha, então, perdoem qualquer erro):

Eu deixei meu pai para aprender a amar os homens, esse continente ainda hostil justamente por ser desconhecido. E também devo a ele saber me separar dos homens. Mesmo estando apaixonada por eles. Cresci entre os meninos. Fui a única menina da minha classe do quinto ao último ano da escola.

Na residência médica, fui a única mulher no meio dos homens… Eu me fiz com eles e contra eles. Eles incorporam tudo aquilo que tive que vencer para conquistar a liberdade.

Argélia – Literatura argelina

Amigos e leitores,

Desculpem o desaparecimento. São muitos os compromissos, o que está atrapalhando – e muito – o meu ritmo de leitura e os livros que leio.

Ainda assim, gostaria de compartilhar com vocês que estou com muita vontade de estudar a literatura argelina. Isso porque, com exceção de alguns nomes que vocês também devem conhecer, pouco sei sobre a Argélia, sua história e, sobretudo, sobre sua produção literária. O desejo, pasmem, surgiu durante a Copa do Mundo. E algum dia, quando eu tiver um tempo, lerei os livros que comprei. São esses dois, de duas autoras contemporâneas. Não sei absolutamente nada sobre elas, encomendei os livros às escuras.

literatura argelina

O jornal O RelevO me mostrou esse belo poema da poetisa Samira Negrouche. Se você não achar bonito, você não tem coração.

il se peut

E, para finalizar, “Denia”, do Manu Chao.